Futuro do trabalho: 5 pontos de vista essenciais para lidar com as mudanças
- Francisco Santana

- 11 de mar. de 2020
- 5 min de leitura
Você sabe o que esperar do futuro do trabalho e como as mudanças vão afetar sua empresa?
Provavelmente, você já está sentindo os efeitos da transformação digital e das novas relações de trabalho, assim como o ritmo acelerado dos mercados e impacto do avanço tecnológico.
Mas esse é apenas o começo de uma revolução na forma com que trabalhamos e administramos negócios e pessoas.
Neste artigo, você vai conhecer alguns pontos de vista essenciais para pensar o futuro do trabalho e se preparar para os novos desafios.
Leia até o fim e comece sua transformação a tempo.
O que esperar do futuro do trabalho?
O futuro do trabalho já está acontecendo: novas profissões estão surgindo, mercados estão em disrupção e as relações de trabalho estão se reinventando.
Na prática, estamos em plena transição para um novo modelo econômico e organização do trabalho, baseado na dimensão digital e na Quarta Revolução Industrial.
A expectativa é aliar a força de trabalho humana à inteligência das máquinas para alcançar um novo patamar de desempenho — mas há muitas questões e obstáculos nesse caminho.
Por isso, vamos ouvir o que os especialistas têm a dizer sobre o amanhã para decidir qual será nossa estratégia.
5 pontos de vista sobre o futuro do trabalho
Para ampliar seu horizonte sobre o futuro do trabalho, reunimos algumas perspectivas importantes de especialistas, organizações e consultorias.
Acompanhe as previsões e avalie o estágio da sua empresa.
1. Josh Bersin: o futuro do desempenho e recompensas
O influenciador global do RH Josh Bersin publicou suas previsões sobre o futuro do trabalho em seu site, no final de 2019, com foco nas novas formas de avaliação de desempenho e recompensas.
Para o especialista em liderança e gestão de pessoas, a nova estrutura de trabalho em equipe exige uma mudança fundamental nas políticas de compensação das empresas.
Logo, a tendência do futuro será “pagar pela performance”, priorizando a transparência e a justiça na remuneração dos colaboradores, além de oferecer maior autonomia para que os profissionais liderem equipes e projetos dentro da empresa.
Para justificar sua leitura, Bersin cita o estudo 2019 Global Performance Management, publicado pela Mercer, que revela as seguintes estatísticas:
2% das empresas acreditam que sua gestão de desempenho entrega alto valor
30% das empresas avaliam os gestores com base em sua capacidade de liderar pessoas
9% das empresas recompensam os gestores a partir de seus resultados em liderança de pessoas.
Esses números baixíssimos mostram que as práticas de avaliação de desempenho e reconhecimento não estão acompanhando a evolução do trabalho, que ocorre cada vez mais em redes de equipes.
Então, Bersin defende que “todos são líderes no futuro do trabalho”, e que as empresas devem se preparar para recompensar esses líderes e reconhecer a importância de seu papel à frente dos projetos.
Em resumo, estas são suas principais previsões:
2. OECD: os riscos da automação para os empregos
Na visão da OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o futuro do trabalho reserva grandes oportunidades, mas também grandes desafios.
Em seu estudo The Future of Work, publicado em 2019, a organização revela que 14% das profissões atuais podem ser completamente automatizadas, enquanto 32% sofrerão mudanças radicais com o avanço da tecnologia.
Apesar do risco iminente de desaparecimento de algumas ocupações, a organização chama a atenção para o fato de que novas profissões devem surgir no mesmo ritmo:
“A globalização e as mudanças tecnológicas criam empregos ao reduzir o preço dos produtos e serviços, aumentando sua qualidade e impulsionando a demanda dos consumidores.
Além disso, também produzem ocupações totalmente novas, como gerentes de Big Data, engenheiros de robótica, analistas de mídias sociais e operadores de drones.”
O estudo também aponta que os empregos terão mais qualidade, graças à eficiência proporcionada pela automação de tarefas repetitivas, e será mais fácil conciliar a vida pessoal com a carreira.
No entanto, vale mencionar que 6 em cada 10 adultos não possui as competências necessárias para enfrentar essa nova realidade do trabalho.
Para a OECD, a adaptação ao novo cenário dependerá da qualidade dos treinamentos oferecidos aos profissionais e do esforço regulatório dos governos para facilitar essa transição.
3. Fórum Econômico Mundial: as profissões e tecnologias em ascensão
No relatório Future of Jobs 2018, o Fórum Econômico Mundial apresenta as profissões em ascensão e as tecnologias que vão dominar o futuro do trabalho no mundo todo.
No Brasil, estas são as ocupações de destaque para os próximos anos:
Desenvolvedores e analistas de software e aplicativos
Gestores do C-Level
Profissionais de marketing e vendas
Representantes de vendas e pré-venda
Gerentes de operação
Cientistas e analistas de dados
Profissionais de redes e bases de dados
Consultores financeiros e de investimentos
Especialistas em recursos humanos
Analistas financeiros.
Já as tecnologias fundamentais, em ordem de prioridade da adoção nas organizações, são as seguintes:
Big data analytics
Funções baseadas em sites e aplicativos
Machine learning e inteligência artificial
Realidade virtual e realidade aumentada
Computação em nuvem
Comércio digital
Novos materiais
Dispositivos wearable (vestíveis)
Criptografia
Blockchain
Transporte autônomo
Impressão 3D
Robôs estacionários
Computação quântica
Biotecnologia
Robôs aéreos e aquáticos
Robôs humanoides.
Além disso, o relatório aponta competências como pensamento analítico, criatividade e solução de problemas como as habilidades do futuro.
4. Deloitte: a transformação do trabalho, dos profissionais e das empresas
Em seu mais recente estudo sobre o futuro do trabalho, publicado em 2019, a consultoria Deloitte separa a nova realidade das organizações em três dimensões: o trabalho (o quê), a força de trabalho (quem) e o local de trabalho (onde).
Logo, estes são os questionamentos fundamentais para o futuro:
Quais trabalhos serão automatizados com as tecnologias cognitivas, robóticas e de inteligência artificial?
Com as novas relações de trabalho, como gerenciar talentos que trabalham em regimes flexíveis como freelancers, gig workers e coletivos?
Como criar novos ambientes e métodos de trabalho a partir da combinação entre colaboração, redes de times e tecnologias de realidade digital?
Para os especialistas da Deloitte, o trabalho será caracterizado por colaborações entre humanos e máquinas, foco na solução de problemas (ao invés do cumprimento de tarefas) e gerenciamento de relações humanas.
Considerando que 35% da força de trabalho norte-americana já é formada por profissionais temporários, freelancers e contratados por projetos, a tendência é que as empresas encontrem novas formas flexíveis de organizar seu capital humano.
Para o RH, haverá uma mudança fundamental do tradicional “atrair, desenvolver e reter” para “acessar, selecionar e engajar” os talentos — um cenário mais complexo para a gestão de pessoas.
Em relação ao ambiente, não haverá mais a necessidade da proximidade física, e cada vez mais o trabalho será feito por meio de plataformas colaborativas e tecnologias de realidade virtual.
5. Accenture: por um futuro do trabalho inclusivo
Na visão da Accenture, explorada no relatório Inclusive Future of Work: A Call to Action, publicado em 2019, é preciso criar condições para um futuro do trabalho inclusivo.
Para a empresa, todos os trabalhadores devem ter as mesmas oportunidades e motivação para se adaptar à economia digital.
No caso, há inúmeros profissionais que enfrentam uma desvantagem dupla: estão mais sujeitos à disrupção tecnológica e possuem menos recursos para fazer uma transição de carreira.
Essa é a realidade dos trabalhadores em ocupações mais operacionais, que têm menos condições de desenvolvimento profissional e correm o risco de ficar para trás.
Por isso, a Accenture defende que as empresas ajudem seus colaboradores a enxergar novos caminhos profissionais, expandir suas competências e colocar novas habilidades em prática.
O RH terá um papel essencial nessa transição inclusiva, apoiando os talentos na adaptação à nova realidade do trabalho e, ao mesmo tempo, construindo um pool de talentos diferenciado.
Para isso, a Accenture sugere que as organizações promovam as interações entre equipes e criem grupos de incentivo, e também usem técnicas de coaching e mentoria para encorajar seus colaboradores a acompanhar o ritmo das mudanças.

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