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2025 foi sobre intenção. 2026 será sobre fazer chegar

  • Foto do escritor: Kiko Campos
    Kiko Campos
  • 21 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 23 de dez. de 2025


Todo fim de ano traz uma tentação silenciosa: listar conquistas, organizar feitos, provar que valeu a pena.

Eu já fiz isso outras vezes.

Este ano, não.


Porque 2025 não foi um ano de performance.

Foi um ano de ajuste interno.


Não no sentido de pausa — mas de alinhamento.


Entrei o ano com experiência suficiente para seguir no automático.

Com repertório para ocupar bons espaços.

Com reconhecimento para continuar entregando sem me questionar demais.


Mas havia algo que não fechava.


Impacto sem intenção começa a perder sentido.

E, pior: começa a produzir barulho onde deveria haver direção.


A diferença entre movimento e direção


Durante muito tempo, especialmente em posições de liderança, somos treinados a valorizar movimento.

Mais projetos.

Mais decisões.

Mais entregas.


Só que movimento não é sinônimo de avanço.


Há momentos em que o excesso de ação esconde a falta de clareza.

E 2025 foi o ano em que essa distinção ficou impossível de ignorar.


Comecei a perceber que eu já não precisava provar capacidade.

Precisava organizar propósito.


Não como discurso bonito.

Mas como eixo real de escolha.


Essa percepção não veio de uma grande decisão.

Veio de várias pequenas fricções: conversas, limites, silêncios, desconfortos.


A vida, como sempre, não pede licença.


Quando o limite ensina mais do que a ambição


Há uma ideia muito difundida no mundo corporativo de que clareza vem da ambição.

Na prática, ela costuma vir do limite.


2025 me lembrou disso de forma muito concreta.


Limites de tempo.

Limites emocionais.

Limites físicos.

Limites de controle.


E foi justamente ali que algumas perguntas começaram a mudar:


– O que realmente merece energia?

– O que é essencial — e o que é apenas hábito?

– Onde estou presente por escolha e onde estou apenas reagindo?


A pesquisadora Brené Brown costuma dizer que clareza é gentileza.

E que a ausência de clareza gera sofrimento desnecessário.


Essa frase me acompanhou muito neste ano.


Porque ser claro, muitas vezes, exige coragem para decepcionar expectativas alheias — inclusive as que criamos sobre nós mesmos.


Menos vitrine. Mais laboratório.


Outra mudança importante em 2025 foi na forma de me expressar.


Durante anos, como muitos líderes, tratei comunicação como vitrine:

mostrar resultados, compartilhar aprendizados prontos, entregar respostas organizadas.


Em 2025, isso mudou.


Passei a usar minha comunicação como laboratório.

Um espaço para testar ideias.

Para refinar linguagem.

Para provocar conversas melhores — não para parecer certo.


Isso exigiu abrir mão de controle.

E aceitar algo fundamental: autoridade não vem de certeza constante, vem de coerência ao longo do tempo.


Essa transição também trouxe simplicidade.


Simplicidade que não tem nada de superficial.


Simplicidade como decisão estratégica


Existe uma confusão recorrente entre simplicidade e falta de rigor.

Na prática, é o oposto.


Simplicidade é o estágio mais avançado do entendimento.


O educador brasileiro Rubem Alves dizia que o pensamento complicado muitas vezes é sinal de confusão, não de profundidade.


Em 2025, isso ficou muito claro para mim.


Quanto mais eu organizava o que era essencial, mais evidente ficava o quanto complexidade desnecessária consome energia, atenção e foco.


Simplificar virou uma escolha consciente:


  • menos ruído,

  • menos agenda cheia por inércia,

  • menos projetos desconectados.


E mais coerência.


O que 2025 realmente deixou


Se eu tivesse que resumir 2025 em uma palavra, não seria “resultado”.

Seria intenção.


Intenção como critério.

Intenção como filtro.

Intenção como base para dizer “não” sem culpa.


Termino o ano menos interessado em ocupar espaços

e mais comprometido em construir sentido.


Menos atraído pelo barulho.

Mais fiel ao que sustenta impacto de verdade.


E isso muda completamente a forma como olho para o próximo ciclo.


2026 não começa com promessa. Começa com responsabilidade.


Há uma ansiedade coletiva para transformar o novo ano em lista de metas.

Eu prefiro outra abordagem.


Se 2025 foi sobre intenção,

2026 será sobre alcance.


Mas não alcance no sentido inflado de visibilidade.

E sim alcance no que realmente importa.


Alcance de ideias que ajudam líderes a pensar melhor.

Alcance de conversas mais honestas dentro das organizações.

Alcance de impacto real — em pessoas, times e sistemas.


O sociólogo brasileiro Zygmunt Bauman, embora polonês de origem, foi profundamente adotado pelo pensamento brasileiro ao nos alertar que vivemos em tempos líquidos, onde tudo escorre rápido demais.

Alcance, nesse contexto, não é velocidade.

É permanência.


Fazer chegar


Talvez essa seja a grande mudança de chave.


Durante muito tempo, liderança foi associada a fazer mais.

Agora, para mim, ela se parece muito mais com fazer chegar.


Fazer a ideia certa chegar às pessoas certas.

Fazer a conversa necessária chegar onde antes havia silêncio.

Fazer escolhas difíceis chegarem à prática — e não ficarem só no discurso.


2026 não será sobre intensidade.

Será sobre direção sustentada.


Com mais ação, sim.

Mas ação conectada.

Com mais escala, sim.

Mas escala com sentido.

Com menos barulho.

E mais impacto real.


Para fechar


Não escrevo esta newsletter como fechamento de ano.

Escrevo como abertura de ciclo.


Se você também sente que já não é mais sobre fazer tudo,

mas sobre fazer o que importa,

talvez 2026 também esteja te pedindo menos pressa

e mais intenção transformada em ação.


Não para fazer mais.

Mas para fazer chegar.


 
 
 

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kiko@kikocampos.com

Sobre Nós

Kiko Campos é executivo global de Recursos Humanos, especialista em cultura, liderança e transformação organizacional. Atuou como diretor em empresas como Vale, Carrefour e Grupo BIG, liderando projetos de mudança em larga escala, em ambientes complexos e multiculturais.

 

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